DUOFEL GRAVA BEATLES
Desde o início de nossa carreira, recebemos propostas para gravar arranjos de músicas conhecidas, o que nos indignava, pois sempre privilegiamos nossas composições e nossa vontade era torná-las “conhecidas” do público. Foi o que fizemos sempre, desde 1989, quando gravamos nosso primeiro CD, lançado por uma gravadora alemã.
Vibramos bastante com o convite da gravadora que reconheceu o valor artístico de nosso trabalho autoral e também com fato de este reconhecimento ter partido de Hamburgo, a cidade que revelou ao mundo a música do quarteto inglês The Beatles, cuja influência em nossa decisão de seguir a carreira de músicos foi fundamental.
Também não foram poucos os convites para que gravássemos arranjos somente de musicas do quarteto de Liverpool e os intermináveis pedidos dos nossos maiores seguidores e fãs, mas mesmo assim continuávamos no firme propósito de desenvolver uma carreira autoral.
Por outro lado, sempre curtimos tocar Beatles em momentos de lazer e, 20 anos depois do primeiro lançamento em CD, chegou a hora de compartilharmos esses momentos de puro prazer, relembrando ou recriando algumas daquelas músicas que fizeram parte de nossa trajetória.
Escolher o repertório foi extremamente simples, já que os arranjos foram surgindo durante os ensaios e os instrumentos plugados é que nos sugeriram, através dos timbres e afinações diferentes, quais as melodias que melhor se encaixavam em nossa formação. Alguns desses temas são simplesmente interpretados e outros realmente arranjados para nossa linguagem.
Norwegian Wood (1965 – Rubber Soul) foi a primeira música e o arranjo surgiu em Londres, em 1988. Nela utilizamos o efeito “frouxolão” (sexta corda totalmente frouxa no violão de nylon), privilegiando a experimentação e, desde então, tem sido incluída em nossos shows. Daí a vontade dos produtores e fãs de ouvir outras mais.
Em Eleanor Rigby (1966 – Revolver) e A Day In the Life (1967 – Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band), Fernando utiliza uma afinação muito próxima ao contra-baixo, surpreendendo pela sonoridade na região dos graves e ainda pela utilização de arcos de rabeca e “zig-zum”.
Em Eleanor Rugby, remetemo-nos à fase psicodélica, bastante evidente na trajetória do quarteto. Ainda neste contexto, The Fool on the Hill (1967 – Magical Mystery Tour), tocada com arcos no violão tenor e viola de dez, traduz o que se chamava de “música viajante”. É interessante ressaltar que este álbum foi proibido no Brasil pela ditadura militar.
Em Mr. Moonlight, uma das raras composições de outro autor (Roy Lee Johnson-EUA), gravada no início da carreira, em 1964 (LP Beatles 65, no Brasil), mostramos nossa visão “sertaneja”, já sugerida pelo arranjo original e, com a formação do violão tenor de quatro cordas e da viola de dez cordas, criamos a sonoridade típica do folclore brasileiro, também utilizada em Here Comes the Sun (1969 – Abbey Road). Já em Across the Universe (1969 – Let it Be), substituímos a viola de dez pela de doze cordas.
Sobre a forma de gravar, um fator de muita importância foi a busca da configuração de ambiente que tornasse o CD bastante próximo do que reproduzimos em shows. Assim, optamos por gravar em sistema digital e com violões plugados, privilegiando uma linguagem POP, gravando “ao vivo” no estúdio, sem over dubs e sem edições, utilizando
efeitos de reverb, delay e equalizer tão somente.
O projeto gráfico foi desenvolvido pelo Gal Oppido, que, além de estar envolvido com o Duofel desde o segundo CD, de 1993, é musico, arquiteto e beatlemaníaco.
Porém, a participação de nossos amigos e fãs na escolha da melhor capa pela web foi o ponto alto deste trabalho e superou nossas expectativas, dando-nos a certeza de que estamos sempre muito bem acompanhados.
Muito embora o repertório Beatles esta reservado ao mundo POP este trabalho levou muito tempo para ser viabilizado, pois conseguir as autorizações para gravar por nossa distribuidora independente FINE MUSIC nos deu a exata dimensão do valor de uma obra consagrada. Essa dificuldade nos fortaleceu ao percebemos que foi justamente o valor da nossa própria obra a referencia para obter finalmente as liberações.
Fernando Melo e Luiz Bueno

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